publicação: 10 de dezembro de 2014

Atendimentos de radioterapia no Hospital da Solidariedade diminuem 40%

Atendimentos de radioterapia no Hospital da Solidariedade diminuem 40%

Retirada do http://gazetadooeste.com.br

As cirurgias oncológicas estão suspensas há alguns meses devido ao impasse nas negociações entre anestesiologistas e Prefeitura de Mossoró.
Médico Geison Freire explica situação da unidade

Em decorrência do impasse nas negociações entre anestesiologistas e Prefeitura de Mossoró, as cirurgias oncológicas estão suspensas há alguns meses, por causa disto, os atendimentos no Hospital da Solidariedade vêm diminuindo, um impacto no setor de radioterapia que gera uma diminuição de 40% na frequência dos pacientes.

A informação é do médico radioterapeuta Geison Freire, que explica que a maioria das cirurgias estão sendo realizadas em Natal e os pacientes já fazem a radioterapia por lá mesmo. “Os casos de câncer de mama, por exemplo, tínhamos pacientes todos os dias, mas desde a semana passada não recebemos mais ninguém, porque as pessoas estão indo procurar tratamento fora de Mossoró”, afirmou.

O problema, segundo Geison Freire, repercute na sobrevida do paciente, visto que o câncer já é por si uma doença agressiva. “Sabemos que são pessoas humildes, e que se deslocar para outra cidade exige custo e quem tem menos condições é quem mais sofre, pois além do diagnóstico do câncer, tem todo esse sofrimento de não fazer a cirurgia aqui. A radioterapia tem um papel muito importante e em muitos casos consegue a cura”, continuou o médico.

Atualmente, o Hospital da Solidariedade conta com 55 pacientes, a média dos meses em que as cirurgias eram feitas era de 80 pacientes. “Isso tem um impacto negativo nas finanças do hospital, já que precisamos dos atendimentos para que os recursos venham. Nos preocupamos em atender bem e de imediato, aqui não se tem fila e caso precise, a radioterapia logo é realizada”, disse o médico.

O impacto negativo nas finanças tem sido tanto que os funcionários estão com os meses de outubro e novembro de salários atrasados, e a primeira parcela do 13º ainda não foi paga. “O Ministério Público do Trabalho tem nos cobrado, mas não temos o que fazer, é preciso que o poder público colabore e que a sociedade se mobilize. Tivemos uma audiência pública na Câmara esses dias, mas o que foi prometido não foi cumprido. É importante o comprometimento”, continuou.

Ele lembrou ainda que não se deve esperar coisas graves acontecerem para que o poder público se mobilize. “Não é preciso acontecer algo mais grave como cortarem a luz para alguém tomar uma iniciativa”, complementou Geison Freire.

Uma notícia positiva é que a farmácia de manipulação do hospital já voltou a fabricar os medicamentos. No mês de novembro, de acordo com dados do hospital, foram 5.767 medicamentos. O hospital também prestou 252 atendimentos de fisioterapia e 400 consultas médicas.